segunda-feira, 5 de julho de 2010

Aos Convictos

Após perdermos tudo o que nos dava esperança, o que nos resta?

Entre tantos momentos  de tensão, de despedida, de sorrisos puxados da lembraça, de descobertas, nem sempre agradáveis, surge a perca.

Eu mesma até uns meses atrás estava orgulhosa,  pois em dois anos teria um diploma de graduação em Letras Vernáculas e  respectivas Literaturas. Ao entrar na sala de aula pela primeira vez, me deparei com um ambiente totalmente diferente daquele que sonhei, em meus planos tinham pessoas caladas que ouviam o que eu dizia e absorviam, que se interessavam por cada palavra que eu falasse.
Mas a realidade me mostrou seres diferentes, iguais apenas nas expressões, na estrutura, mas na essência, que é o que vale, eram diferentes uns dos outros, alguns precisavam apenas de um estímulo, outros precisavam de um empurrãozinho,  já outros olhavam com olhos de quem nunca teve em si esperança de um futuro melhor. Alunos que pareciam não pertencer ao corpo da sala de aula, que avançaram por falta de professores que lhes suprissem as deficiências. Em meio ao meu desespero por não saber o que fazer, vi que não conseguiria entrar em um processo de multiplicação e me tornar trinta Larissas e, o pior, como me tornar diferente para cada aluno que estava à minha frente?
Não achei respostas, mas insisti, saindo da sala de aula com a certeza que, de alguma forma, deixei discentes mais potentes que outrora.

Enfim, mais uma vez a prática esmagou a teoria, me desconstrui, a adolescente sem rumo voltou, que profissão escolher? penso que lhe dar com objetos é mais simples, mas eles não suprem a minha necessidade do outro.

Há momentos em que nossas certezas desmoronam, que a gente percebe que é impotente, que não é nada mesmo, como os sábios sempre disseram.

Mas o fruto dessas desconstruções é válido, o RESSURGIR deve ser fascinante, e é este o foco que devemos ter, um sentimento que nos diga que no futuro ressurgirão esperanças, sonhos. Talvez a gente quebre a cara de novo, mas terá valido a pena se sairmos evoluídos e causadores de evolução.

No fundo meu diploma vai servir, nem  que seja para refletir que , no fundo, nós nunca sabemos o que almejamos, somos eternas crianças atrás do colo de alguém que nos diga o que fazer e como fazer!!!

Deus há de suprir nossas carências !

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